G.V.A.

G.V.A.










A árvore dos problemas



Um homem contratou um carpinteiro para ajudar a arrumar algumas coisas na sua fazenda.
O primeiro dia do carpinteiro foi bem difícil.
O pneu do seu carro furou.
A serra elétrica quebrou.
Cortou o dedo.
E ao final do dia, seu carro não funcionou.
O homem que contratou o carpinteiro ofereceu uma carona para casa.
Durante o caminho, o carpinteiro não falou nada.
Quando chegaram a sua casa, o carpinteiro convidou o homem para entrar e conhecer a sua família.
Quando os dois homens estavam se encaminhado para a porta da frente, o carpinteiro parou junto a uma pequena árvore e gentilmente tocou as pontas dos galhos com as duas mãos.
Depois de abrir a porta da sua casa, o carpinteiro transformou-se.
Os traços tensos do seu rosto transformaram-se em um grande sorriso, e ele abraçou os seus filhos e beijou sua esposa.
Um pouco mais tarde, o carpinteiro acompanhou a sua visita até o carro.
Assim que eles passaram pela árvore, o homem perguntou:
Porque você tocou na planta antes de entrar em casa?
- Ah! Esta é a minha Árvore dos Problemas.
- Eu sei que não posso evitar ter problemas no meu trabalho, mas estes problemas não devem chegar até os meus filhos e minha esposa.
-Então, toda noite, eu deixo meus problemas nesta Árvore quando chego a casa, e os pego no dia seguinte.
- E você quer saber de uma coisa?
- Toda a manhã, quando eu volto para buscar os meus problemas, eles não são nem metade do que eu me lembro de ter deixado na noite anterior.


Aspecto Psicológico



Estudando psicologicamente a formação de hábitos, veremos que, como comprovam estudos experimentais de psicólogos comportamentais, todos os comportamentos reforçados por uma recompensa positiva (agradável) tendem a ser repetidos e aprendidos. As futuras e sucessivas repetições tendem a fixar não só esse comportamento que conduz à recompensa mas, também, pode fixar os estímulos, sensações e situações eventualmente associados a esse comportamento.

Os usuários de drogas referem, por exemplo, que ao ver certos lugares ou pessoas, ao ouvir certas músicas, etc., experimentam grande vontade de usar a droga.

A psicologia social identifica elementos importantes que podem estar envolvidos na falta de autocontrole para o consumo de drogas, bem como em outros comportamentos descontrolados, tais como fazer apostas, comer de forma compulsiva, etc. É de interesse formular conceitos que expliquem como essas falhas de regulação levam, em última instância, a adicção no caso do uso de drogas ou a um padrão de tipo adictivo em comportamentos não relacionados ao consumo de drogas.

Um dos conceitos é o chamado "sofrimento em espiral". O sofrimento em espiral é um conceito segundo o qual, em alguns casos, uma primeira falha de autocontrole levaria a um sofrimento emocional, sofrimento este que inicia um ciclo de falhas repetidas de autocontrole, onde cada falha traz mais sentimentos negativos à pessoa, como sentimentos de culpa, por exemplo.

Assim, a primeira experiência de consumo de drogas pode se repetir de acordo com as circunstancias pessoais e sociais, ocasionando uma recaída e dando surgimento à falhas no autocontrole. Nesse caso, o conceito de sofrimento em espiral será utilizado para descrever o desregularão progressivo do sistema cerebral de recompensas no contexto dos ciclos repetidos de adicção.

Um dos elementos psicológicos muito provavelmente implicados na manutenção da dependência seria o grande desconforto das síndromes de abstinência. Essa crise de mal estar seria uma das bases explicativas para o uso compulsivo e continuado da drogas.

Embora a idéia da abstinência como favorecedora da manutenção da dependência seja motivo de controvérsias, existem evidências cada vez maiores sobre a presença de estado afetivo negativo (comum nas abstinências) pode favorecer o início do desenvolvimento de dependência, bem como contribuir para a vulnerabilida.

Aspecto Social



Seria a drogadicção uma doença? Essa é uma pergunta de conotação muito mais sociológica que médica. A medicina e a psicologia investem em muitas pesquisas partindo do pressuposto que se trata, no mínimo, de uma condição anômala no controle dos impulsos. Se a drogadicção não fosse uma anomalia, pela lógica, não se poderia pesquisá-la tanto assim, pois a medicina não costuma pesquisar entusiasticamente o normal.
A drogadicção não é apenas uma doença a nível cerebral. Melhor seria vê-la como uma doença cerebral onde os contextos sociais em que se desenvolveu e se manifestou têm importância crítica. Um dos elementos sociais envolvidos na drogadicção é a exposição a estímulos condicionantes. Esses estímulos podem ser importantes fatores na vontade de consumir drogas e mesmo nas recaídas que acontecem depois de tratamentos bem-sucedidos.
A importância dos contextos sociais (estímulos ambientais) no desenvolvimento da drogadicção pode ser exemplificada pelos drogadicto em heroína que adquiriram o vício na guerra do Vietnã. Depois da guerra e de volta aos seus lares, o tratamento dessas pessoas foi muito mais fácil e com muito mais êxito que o tratamento de drogadicto por heroína que adquiriram o vício nas ruas e longe da guerra.
Para os soldados viciados os estímulos ambientais (que não existiam mais depois da guerra) foram prioritários sobre os elementos pessoais. Para os viciados nas ruas talvez não se possa dizer o mesmo.
Devemos entender a dependência química como uma doença bio-psíco-social, formada por componentes biológicos, psicológicos e de contexto social. É claro que as estratégias de abordagem do problema devem incluir, igualmente, elementos biológicos, psicológicos e sociais. Por isso não deve ser tratada apenas a doença cerebral subjacente a drogadicção, más tratar, sobretudo, as alterações emocionais do paciente, bem como abordar os problemas sociais.
As entidades sócio-comunitárias que lidam com o assunto, muitas vezes preferem não se envolver nessa discussão. Entretanto, faz parte da compreensão dos "Narcóticos Anônimos" que a adicção é, de fato, uma doença.
De fato, nas instituições grupais que lidam com esse problema, quando se aceita o fato de tratar-se de uma doença, sobre a qual somos impotentes (como costumam dizer), tal aceitação fornece uma base para a recuperação através de programas de ajuda mútua, como é o caso dos Doze Passos dos Narcóticos Anônimos.
Para esses grupos de auto-ajuda, a pessoa com Drogadicção se apresenta ativamente (usando a droga) ou não, mas sempre será apropriada a utilização da palavra "doença" para descrever a condição do adicto.

Como a questão das drogas ultrapassou em larga escala os limites da medicina, os profissionais das diversas áreas, desde a medicina, religião, psiquiatria, legislação, até o direito penal, definem a adicção em termos que são apropriados para suas atuações.

Adicção, Drogadicção, Drogadicto



A dependência química não é uma doença aguda. Trata-se de um distúrbio crônico e recorrente.
E essa recorrência é tão contundente, que raramente ocorre abstinência pelo resto da vida depois
de uma única tentativa de tratamento. As recaídas da drogadicção são a norma. Portanto, a
adicção deve ser abordada mais como uma doença crônica, como se fosse diabetes ou
hipertensão arterial.

Considerando o fato da dependência química ser um distúrbio recorrente e crônico, alguns autores
mais realistas consideram como um bom resultado terapêutico, tal como se deseja no tratamento
da hipertensão arterial, asma brônquica, reumatismo, diabetes, etc, uma redução significativa
do consumo da droga, e longos períodos de abstinência, supondo a ocorrência de
recaídas ocasionalmente. Muitos acham que este seria um padrão razoável de sucesso terapêutico,
da mesma forma que em outras doenças crônicas, ou seja, o controle da doença, mas não a sua
cura definitiva.

Vamos chamar de "psicoativas" as drogas psicotrópicas, portanto, com efeito sobre o Sistema
Nervoso Central. Convencionalmente, vamos chamar ainda de "psicoativas" as drogas de caráter
ilícito, cujo efeito por ela produzido é de alguma forma agradável ao usuário. Pois bem. Quando
se usa uma droga psicoativas, o efeito proporcionado por ela adquire para a pessoa um caráter
de recompensa prazerosa.

A maioria das definições de adicção a drogas ou dependência de substâncias inclui descrições do
tipo "indivíduo completamente dominado pelo uso de uma droga (uso compulsivo)" e vários
sintomas ou critérios que refletem a perda de controle sobre o consumo de drogas.
As pesquisas, hoje em dia, caminham através da Psiquiatria e da Psicologia Experimental,
juntamente com a Neurobiologia. Todas essas áreas se esforçam para identificar os
elementos emocionais e biológicos que contribuem para alterar o equilíbrio do prazer
(homeostase hedonista), alterações esta que dá origem àquilo que se conhece como
drogadicção (droga-adicção). A palavra "adicção", em português, é um neologismo técnico que
quer dizer, de fato, "drogadicção".

O tema "drogas" é muito complexo, multidimensional e tem atraído a atenção da maioria dos
países. Nas últimas duas décadas, importantes avanços nas ciências do comportamento e
nas neurociências vieram contribuir para um melhor entendimento na questão do abuso de drogas
e da drogadicção (droga-adicção).

A neurociência tem identificando circuitos neuronais envolvidos em todos tipos de abusos
conhecidos, assinalando regiões cerebrais, neuroreceptores, neurotransmissores e as vias
neurológicas comuns afetadas pelas drogas. Também têm sido identificados os principais
receptores das drogas suscetíveis de abuso, assim como todas as ligações naturais da maior
parte desses receptores.

Neurologicamente a drogadicção deve ser considerada uma doença. Ela está ligada a alterações
na estrutura e funções cerebrais, e isso torna a drogadicção fundamentalmente uma doença
cerebral. Inicialmente, o uso de drogas é um comportamento voluntário mas, com o uso prolongado
um "interruptor" no cérebro parece ligar-se, e quando o "interruptor" é ligado, o indivíduo entra
em estado de dependência química caracterizado pela busca e consumo compulsivo da droga.

A droga no mundo



No mundo, a Indústria da Droga movimenta de 300 a 400 bilhões por ano.

No caso da cocaína e da heroína, o preço do produtor ao consumidor é multiplicado por 2.500.

Estima-se que existam 180 milhões de usuários de drogas no mundo.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a dependência (álcool, tabaco, cocaína, maconha, anfetaminas, e psicotrópicos) consome 10% do produto interno bruto de qualquer economia, em gastos com Hospitais, acidentes de trânsito e no trabalho, com a perda de produtividade. Conclusão; o Brasil perde, anualmente, alguns bilhões de dólares com gastos relacionados à dependência química, dinheiro que poderia ser empregado em melhor qualidade de vida para todos.
Pesquisas indicam que 22,8% da população no Brasil consome drogas.
49% das escolas estaduais tem problemas com o consumo e o tráfico de drogas segundo pesquisa feita em 5 capitais brasileiras.
20.000 brasileiros morrem a cada ano em decorrência do consumo de entorpecentes ou de crimes relacionados ao tráfico.

O Departamento de Investigação sobre entorpecentes (Denarc), tem mais de 100.000 traficantes fichados em seus Arquivos.

As estatísticas indicam que 10% dos presos brasileiros (16.000 ) são traficantes, percentual que em 94 era de 7%.
80% dos crimes urbanos cometidos no Brasil têm alguma relação com droga.

No Brasil, o aumento das apreensões de drogas foi de 40% em 1997.

Em 97 foram assassinados, na capital paulista, 247 menores com idades entre 10 e 17 anos, sendo que 80% das mortes estavam relacionadas com a venda e o uso de drogas. O número de viciados em crack, cocaína e maconha na capital paulista chega a 1,6 milhão.

Dos 150.000 usuários de Crack em São Paulo, continuam vivos apenas 1.500 por se absterem.

O comércio de Crack movimenta cerca de 18 Milhões por mês e cresce todos os meses.

Só em Pernambuco, 100.000 pessoas vivem do cultivo e da venda de maconha m Santa Catarina, foram apreendidas, somente pela polícia federal até início de junho de 98, 210 kg de cocaína, 1.000 kg de maconha e 18 kg de crack. Considerando que as maiores apreensões acontecem sempre a partir de julho, estima-se um aumento vertiginoso de drogas apreendidas até o final do ano (não estão incluídas neste montante, as apreensões das polícias civil e militar), além do que, o volume de drogas, apreendido até junho de 98, representa quase toda a apreensão efetuada durante o ano de 97, (em 97, verificou-se um aumento de de 30% em relação ao ano anterior) e que, todo o volume apreendido não representa mais do que 20% das drogas em circulação no estado.

Em Criciúma - SC, no período entre 1995 a 1998, aumentou em 40%, o número de usuários de drogas, enquanto que, dos casos de AIDS registrados, 55% são conseqüência do uso de drogas injetáveis.

Das ocorrências policiais registradas na delegacia da mulher e do menor de Criciúma - SC, 95% são conseqüência de uso indevido de algum tipo de drogas (álcool, maconha , crack, cocaína etc...) apenas 5% dos dependentes de drogas conseguem viver em estado de recuperação.

Atualmente estima-se que 22.600.000 pessoas estão infectadas por HIV no mundo e até o ano 2000 as projeções indicam entre 38 e 108 milhões de pessoas estarão infectadas por HIV, sendo que, 21,3% dos casos de AIDS registrados até maio de 1997, referem-se à categoria de usuários de drogas injetáveis.

As taxas de prevalência de infecção pelo HIV entre usuários de drogas injetáveis chegam a 71% em Itajaí, 64% em Santos e 51% em Salvador.

O uso de drogas injetáveis está associado a cerca de 50% de todos os casos de AIDS nas regiões de São Paulo e Santa Catarina.

Recente pesquisa comprova que o vírus HIV permanece por até 30 dias encubado nas seringas utilizadas por usuários HIV positivos.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) o fumo mata ou matará...
3,5 milhões de pessoas a cada ano (1998).
10 mil pessoas a cada dia.

Em vinte anos (2020), 10 milhões de pessoas morrerão por ano no mundo.
250 milhões de crianças vão morrer de tabagismo.

No planeta, cerca de 1,1 bilhão são fumantes sendo que:* 73% ou 800 milhões só nos países em desenvolvimento, (48% de homens e 7% de mulheres);* 27% nos países desenvolvidos (42% de homens, 24% de mulheres);* US$ 57,6 milhões gastos com publicidade de cigarros em 1994;* US$ 7,3 bilhões foi o faturamento pelas indústrias no mesmo ano e;* US$ 4,6 bilhões foram os impostos arrecadados.

No Brasil, 30,6 milhões de pessoas fumam, dos quais, 100 mil morrem por ano

Com relação ao álcool
 Na lista de países com o maior número de acidentes de trânsito do mundo, o Brasil figura "honrosamente" no topo, com 1 milhão de acidentes por ano, resultando, daí, 300.000 vítimas, sendo que, 50.000 fatais.

Dos 20% de acidentes no trabalho, 40% são fatais.
25% de queda no rendimento da pessoa e 10% no rendimento dos colegas é provocado pelo álcool.
10% da população mundial, acima de 15 anos, sofre de alcoolismo.

A maior parte das internações em hospitais psiquiátricos são causadas pelo alcoolismo. Por exemplo; em 96 foram internadas mais de 80.000 pessoas. Cerca de 22 milhões de brasileiros são atingidos por este problema atualmente.
84% dos adolescentes já experimentaram álcool; 18% deles consomem com freqüência: 8,8% da população brasileira bebe em excesso.

No Japão, se um convidado sair alcoolizado de uma reunião etílica e bater o carro, o dono da festa será autuado como co-responsável pelo acidente.

Filósofos como Hipócrates, Sócrates e Platão já alertavam para os malefícios do álcool.